Tudo o que está relacionado com a mente, desde o consciente ao subconsciente, é um processo demasiado complexo para que uma pessoa comum o possa entender. Tens curiosidade em perceber como funciona, afinal, o processo da mente?

Vamos ajudar-te a compreender, ainda que os próprios especialistas tenham visões e teorias diferentes sobre o tema.

É no nível consciente que estão as informações que o indivíduo percebe na realidade. Trata-se da perceção do mundo exterior e funciona de forma realista, de acordo com as regras do tempo e do espaço. O consciente é a parte do nosso aparelho psíquico que tem a noção da realidade do nosso meio ambiente imediato e é a zona responsável pelo contacto com o mundo exterior.

Ao consciente corresponde a zona da razão conhecida através da introspeção (descrição das próprias experiências ou padrões de comportamento). A mente consciente procura um comportamento adaptado à realidade social uma vez que esta não se rege pelo princípio do prazer, sendo este parcialmente suspenso.

Por sua vez, o nível subconsciente guarda as memórias recentes, como por exemplo um número de telemóvel, um nome de uma pessoa. É também no subconsciente que se encontram os programas de que o indivíduo necessita diariamente, como os pensamentos recorrentes atuais, padrões de comportamento, hábitos e sentimentos. É onde estão guardadas todas as experiências sensoriais, tudo o que vimos, o que ouvimos e o que sentimos. É a parte da mente que não está diretamente acessível ao indivíduo, mas é alcançável através de técnicas como a hipnose, a psicoterapia ou por mensagens subliminares.

Este nível é responsável pelas nossas perceções e crenças subconscientes do que pensamos ser enquanto pessoas e do modo como achamos que o mundo funciona, sendo que essas perceções são tidas como verdadeiras independentemente de serem boas ou más, já que estão estabelecidas no subconsciente.  O subconsciente é responsável por memórias de longo prazo, emoções e hábitos da nossa vida que, a partir disso, leva aos nossos comportamentos.

Para facilitar e melhor perceberes a relação entre o consciente e o subconsciente, podemos recorrer à comparação da mente com um iceberg, sendo a metáfora do Icebeg da autoria de Sigmund Freud. Com esta imagem pretende-se transmitir que a parte emergente do iceberg, aquela que é visível e que representa cerca de 20% deste, correspondente à mente consciente e a parte submersa, equivalente a 80% do iceberg, correspondente à mente subconsciente.

De acordo com o pensamento de Freud, somos capazes de ver apenas uma pequena parte emergente que corresponde à atividade mental que podemos detetar direta e voluntariamente, além de supor um nexo entre o mundo externo e os nossos processos mentais. Estaríamos diante da instância conhecida como consciente, totalmente sob nosso controle e na qual, portanto, não há mecanismos de defesa ativos que os bloqueiem. No entanto, neste elemento é onde a nossa energia psíquica interna é mais contida, uma vez que exercemos o controlo direto deles.

Relativamente à grande massa de gelo que permanece submersa e invisível corresponde ao conjunto de unidades, impulsos, desejos, instintos primitivos ou mesmo memórias reprimidas, que se move pelo princípio do prazer e permanece oculto de nossa consciência, exceto na medida em que veio para estabelecer uma solução de compromisso para se tornar aceitável para o aparato psíquico. O inconsciente seria a nossa parte mais primitiva, pura e natural, na qual a energia psíquica se move com total liberdade. Os 80% submersos representam a componente mais forte e que mais marca nosso modo de ser e a direção a tomar na vida, mas é fortemente reprimida e censurada por vários mecanismos de defesa quando tal conteúdo é inaceitável.

Contudo, perceber o processo de funcionamento da mente implica um árduo e longo estudo sobre um tema que ainda oferece tanto de complexidade e de mistério.